Golpes com clone de Voz mais sofesticados. Criminosos usam inteligência artificial para clonar vozes e aplicar golpes cada vez mais sofisticados
Especialista alerta que poucos segundos de áudio publicados nas redes sociais já podem ser suficientes para fraudes digitais
Uma ligação inesperada de um familiar pedindo dinheiro, um áudio urgente enviado por aplicativo de mensagens ou até uma chamada de vídeo aparentemente real. Situações como essas têm sido usadas por criminosos que recorrem à inteligência artificial para reproduzir vozes e rostos humanos com alto nível de fidelidade.
Com o avanço das ferramentas de IA generativa, golpes digitais passaram a ganhar uma nova camada de sofisticação. A tecnologia consegue recriar padrões de fala, entonação e aparência utilizando poucos segundos de conteúdo disponível na internet.
Segundo Marino Catarino, professor de Inteligência Artificial da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, o crescimento dessas fraudes acompanha a popularização das plataformas de IA e a exposição excessiva de dados pessoais no ambiente digital.
“Hoje já existem ferramentas capazes de reproduzir vozes humanas com enorme precisão usando apenas pequenos trechos de áudio publicados em redes sociais ou vídeos on-line”, afirma o especialista.
De acordo com o professor da ESEG, criminosos utilizam esse recurso principalmente para criar situações de urgência emocional e convencer vítimas a realizar transferências bancárias ou compartilhar informações sigilosas.
“O grande risco da inteligência artificial está na personalização dos golpes. O criminoso não trabalha mais com mensagens genéricas, mas sim com interações extremamente convincentes e direcionadas”, explica Marino Catarino.
Outro ponto de preocupação envolve o uso dessas tecnologias para tentar burlar mecanismos de autenticação e reconhecimento facial utilizados por bancos e plataformas digitais.
Embora o Brasil ainda não tenha uma legislação específica voltada à inteligência artificial, especialistas apontam que a LGPD e o Código Civil já oferecem respaldo jurídico para casos de uso indevido de voz e imagem.
Segundo Marino Catarino, quando há intenção de fraude ou prejuízo à vítima, a clonagem de voz pode gerar responsabilização criminal e civil.
“A depender da finalidade, o uso indevido de voz clonada pode ser enquadrado como estelionato, crime contra a honra e violação de direitos da personalidade”, destaca.
O especialista da Faculdade ESEG recomenda que usuários desconfiem de pedidos financeiros urgentes recebidos por áudio ou vídeo e adotem mecanismos adicionais de confirmação de identidade antes de compartilhar dados ou realizar pagamentos.
“A inteligência artificial mudou o nível de complexidade das fraudes digitais. Por isso, a validação humana continua sendo uma das principais ferramentas de segurança”, conclui Marino Catarino.
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