Deepfake Pro: O novo pesadelo das autorizações de transferência bancária
Com o avanço da tecnologia, muitas operações e sistemas empresariais que guardam dados sigilosos estão mais seguros. No entanto, os ataques cibernéticos também aumentaram. Segundo o relatório Fraud Trends 2026, os ataques de deepfake já representam 11% de toda a atividade fraudulenta global, um salto impulsionado pela facilidade de acesso a ferramentas de IA generativa. No setor financeiro, o cenário é ainda mais alarmante: o INTERPOL Global Financial Fraud Threat Assessment 2026 revela que fraudes potencializadas por inteligência artificial são agora 4,5 vezes mais lucrativas do que os métodos tradicionais.
Para Fernando Dulinski, fundador do Cyber Economy Brasil, hub estratégico criado para acelerar a maturidade cibernética no país e liderar a transição do Brasil para uma economia digital segura, madura e competitiva devido a industrialização desses golpes, o que antes exigia semanas de preparação hoje é executado em tempo real, permitindo que criminosos forjam identidades. “Diferente das manipulações grosseiras de anos atrás, os ataques atuais utilizam redes neurais de baixa latência que permitem ao golpista projetar uma máscara digital sobre o próprio rosto durante uma chamada de vídeo ao vivo, por exemplo”, explica.
O golpe geralmente começa com uma engenharia social meticulosa, uma vez que o criminoso estuda o vocabulário, o tom de voz e os hábitos do alvo em redes sociais. “Assim, ao ligar para o banco simulando uma urgência, como o pagamento imediato de uma transação internacional, o golpista apresenta uma imagem e voz idênticas às do titular, bagunçando e paralisando o senso crítico de quem é responsável pelo atendimento”, acrescenta o especialista.
Justamente para combater essa ameaça, a indústria de segurança digital abandonou o reconhecimento facial simples e implementou a Prova de Vida 2.0. As novas ferramentas de defesa agora buscam por “artefatos de compressão” inaudíveis e invisíveis ao olho humano. Por meio da Biometria de Microfluxo Sanguíneo, os softwares analisam as sutis mudanças de cor na pele causadas pelo batimento cardíaco, algo que máscaras digitais ainda falham em replicar. Enquanto isso, outros sistemas captam frequências sintéticas que denunciam se a voz está sendo processada por um codificador de IA.
As medidas de segurança estão exigindo cada vez mais das empresas, proporcionando desafios maiores e soluções cada vez mais aleatórias. “Não é raro o gerente de uma agência bancária pedir que o cliente realize movimentos inesperados, como aproximar um objeto físico do rosto, o que costuma causar “glitches” (falhas visuais) na IA. Outras instituições, no entanto, ainda retornam ao analógico e implementam as palavras-chaves, códigos verbais combinados presencialmente que nunca devem ser digitados ou ditos em chamadas de vídeo”, acrescenta Fernando Dulinski.
Diante desse cenário de vigilância constante, fica claro que a tecnologia por si só não é uma blindagem definitiva, mas parte de uma engrenagem que exige atualização constante. À medida que o Deepfake Pro desafia os limites da percepção humana e digital, a sobrevivência financeira das instituições e a segurança dos correntistas passam a depender de uma cultura de confiança zero. “A maturidade cibernética em 2026 exige que as empresas equilibrem o uso de defesas biométricas de ponta com o resgate de protocolos comportamentais rígidos. Em um mundo onde a imagem e a voz podem ser perfeitamente simuladas, o verdadeiro diferencial de segurança reside na capacidade de duvidar do óbvio e na implementação de múltiplas camadas de verificação”, finaliza o executivo.
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