Estratégia de cibersegurança vira pilar de sobrevivência para empresas

Estratégia de cibersegurança vira pilar de sobrevivência para empresas que aceleram adoção de inteligência artificial 

Relatórios globais da Verizon e da IBM acendem alerta sobre falhas de governança e impulsionam busca por blindagem digital desde o planejamento dos negócios 

Empresas de diferentes setores ampliaram os investimentos em tecnologia nos últimos anos, mas a maturidade em cibersegurança não avançou no mesmo ritmo. Dados do Relatório Data Breach Investigations Report (DBIR) 2026, da Verizon, mostram que 48% das violações de dados registradas globalmente envolveram ransomware, enquanto 62% tiveram participação direta do fator humano. O levantamento também aponta que a exploração de vulnerabilidades de software já supera o uso de credenciais roubadas como principal porta de entrada para invasões.

Para Vinicius Barrado, CEO e cofundador da TripleTech IT Soluções em TI, especializada em cibersegurança, proteção de dados e gestão de riscos digitais, o problema não está na falta de investimento, mas na forma como muitas organizações estruturam suas prioridades.

“Muitas empresas investem em tecnologia acreditando que isso, por si só, reduz os riscos. Mas a proteção digital não depende apenas das ferramentas adotadas. Ela exige planejamento, monitoramento contínuo e uma estratégia de cibersegurança alinhada aos objetivos do negócio”, afirma.

A urgência por proteção digital se choca com o avanço acelerado da inteligência artificial, hoje utilizada tanto por defensores quanto por cibercriminosos. De acordo com dados da IBM, a velocidade de implementação dessa tecnologia superou a capacidade de resposta das empresas. O levantamento aponta que, das companhias que sofreram incidentes com IA, 97% falharam em aplicar controles de acesso adequados e 63% operavam sem diretrizes formais de governança.

Por que investir mais não significa estar protegido

Segundo especialistas em segurança da informação, maturidade digital não significa apenas adotar novas tecnologias. O conceito envolve governança, proteção de dados, monitoramento contínuo, resposta a incidentes, conformidade regulatória e capacidade de recuperação diante de ataques cibernéticos.

Na avaliação de Vinicius, um dos equívocos mais frequentes está na associação automática entre modernização tecnológica e segurança. “Muitas empresas acreditam que estão protegidas porque migraram para a nuvem, implementaram automação ou passaram a utilizar inteligência artificial. Mas tecnologia sem gestão de riscos, análise de vulnerabilidades e processos bem definidos não significa segurança”, explica.

Segundo ele, essa falsa percepção de maturidade digital pode gerar impactos financeiros, operacionais e reputacionais significativos. Ataques de ransomware, indisponibilidade de sistemas, interrupção de operações e vazamento de informações estratégicas estão entre as consequências mais recorrentes observadas atualmente.

O especialista ressalta ainda que os criminosos também vêm utilizando inteligência artificial para ampliar a eficiência dos ataques.

“A tecnologia está acelerando os dois lados. Enquanto as empresas utilizam IA para aumentar produtividade e eficiência, grupos criminosos utilizam os mesmos recursos para automatizar a identificação de vulnerabilidades, aprimorar golpes de engenharia social e aumentar a velocidade das invasões”, afirma.

A falsa maturidade digital

A crescente digitalização dos processos empresariais elevou a dependência das organizações em relação aos sistemas tecnológicos. Ao mesmo tempo, aumentou a necessidade de monitoramento permanente e gestão preventiva de riscos.

Para Barrado, um dos principais desafios está na falta de integração entre as áreas de tecnologia e a estratégia corporativa.

“Muitas decisões ainda são tomadas considerando apenas ganhos operacionais ou redução de custos. A segurança precisa estar presente desde o planejamento. Quando ela é incluída apenas depois, as vulnerabilidades já podem estar incorporadas à operação”, afirma.

Como a inteligência artificial está mudando a gestão de riscos

Apesar dos riscos associados ao uso inadequado da tecnologia, a inteligência artificial também vem se consolidando como uma das principais aliadas da cibersegurança corporativa.

Segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, empresas que utilizam inteligência artificial e automação em suas operações de segurança conseguem identificar e conter incidentes com maior rapidez, reduzindo impactos financeiros e operacionais.

“Durante muitos anos, as equipes de segurança da informação atuavam de forma reativa. Hoje a inteligência artificial permite identificar ameaças cibernéticas, priorizar vulnerabilidades críticas, detectar comportamentos anômalos e fortalecer a prevenção de ataques digitais antes que eles afetem a operação”, afirma.

Cibersegurança entra na agenda dos negócios

Para o executivo, a proteção digital deixou de ser uma responsabilidade restrita às equipes de tecnologia e passou a ocupar espaço estratégico nas organizações.

“Quando ocorre um incidente, os impactos vão muito além da área de TI. Eles afetam faturamento, atendimento ao cliente, produtividade, reputação e continuidade operacional. Por isso, a cibersegurança precisa ser tratada como uma decisão de negócio”, afirma.

Temas como proteção de dados, inteligência artificial, segurança da informação, gestão de riscos digitais, continuidade operacional e prevenção de ataques cibernéticos tendem a ocupar espaço cada vez maior na agenda das lideranças empresariais. Na visão de Barrado, as organizações mais preparadas para os próximos anos serão aquelas capazes de equilibrar inovação, eficiência e segurança dentro da mesma estratégia de crescimento.

“Não basta investir mais em tecnologia. O diferencial estará na capacidade de crescer digitalmente sem ampliar a exposição aos riscos. As empresas que conseguirem unir inovação e cibersegurança terão uma vantagem competitiva importante nos próximos anos”, conclui.

Por: Vinicius Barrado é CEO e cofundador da TripleTech IT Soluções em TI

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