Credenciais móveis avançam como pilar da segurança bancária

Credenciais móveis avançam como pilar da segurança bancária

À medida que os serviços financeiros avançam na digitalização, o ambiente de ameaças acompanha esse ritmo. Fraudes tornam-se mais sofisticadas justamente porque os canais se multiplicam, os dados circulam com maior velocidade e as superfícies de ataque se expandem. A resposta regulatória é, em grande parte, consequência direta desse movimento: o setor bancário opera sob uma das estruturas normativas mais exigentes do mercado, precisamente porque os riscos são reais e as consequências, sistêmicas. Nesse ciclo, os bancos buscam tecnologias que consigam acompanhar a velocidade da transformação sem abrir mão do controle. É sob este cenário que os bancos vêm ampliando os investimentos em tecnologias capazes de fortalecer a gestão de identidades e do controle de acesso físico e lógico. Nesse contexto, as credenciais móveis deixaram de ser uma inovação complementar para se tornar um componente estratégico da segurança bancária.

Os smartphones já fazem parte da rotina operacional de colaboradores, executivos e prestadores de serviços. Agora, passam também a desempenhar um papel central na proteção do acesso a agências, escritórios administrativos, data centers, áreas restritas e sistemas críticos.

De acordo com o relatório “Estado da Segurança e da Identidade 2026” da HID, uma pesquisa global com mais de 1.500 participantes do setor, incluindo usuários finais, instaladores, integradores e fabricantes, 74% das organizações já estão envolvidas com a tecnologia, 36% já implementaram credenciais móveis, enquanto 38% estão planejando ativamente fazê-lo.

Embora a experiência do usuário continue sendo um fator importante, a principal motivação para adoção está relacionada ao fortalecimento exponencial da segurança. Isso acontece porque as credenciais móveis utilizam recursos avançados de autenticação e criptografia, reduzindo riscos associados a cartões perdidos, compartilhamento indevido de credenciais e senhas vulneráveis. Em ambientes bancários, onde a proteção de ativos físicos e digitais é crítica, a autenticação multifatorial ganha ainda mais relevância ao combinar o dispositivo móvel com biometria ou PINs de segurança.

Outro diferencial importante está na capacidade de gerenciar credenciais em tempo real. Equipes de segurança podem emitir, atualizar ou revogar acessos remotamente, sem depender da impressão e substituição de cartões físicos. Para instituições financeiras com operações distribuídas, grande volume de colaboradores e presença nacional, isso representa ganhos relevantes de eficiência operacional, agilidade e conformidade.

A credencial móvel também se consolida como um elemento central da convergência entre segurança física e digital. Em vez de administrar sistemas isolados, bancos passam a trabalhar com uma identidade única capaz de autenticar o colaborador para acessar tanto ambientes físicos quanto aplicações corporativas, redes internas e plataformas em nuvem. Essa integração reduz a complexidade administrativa e minimiza lacunas de segurança geradas pela fragmentação da gestão de identidades.

O estudo da HID mostra ainda que 73% dos entrevistados identificam o gerenciamento de identidades como uma prioridade estratégica, enquanto 60% planejam ampliar investimentos nessa área. Esse movimento reflete uma necessidade crescente das instituições financeiras de consolidar políticas de acesso, aumentar a visibilidade sobre permissões e melhorar os processos de auditoria e compliance.

Ao mesmo tempo, a adoção das credenciais móveis ocorre de forma gradual. Entre as organizações que já implementaram a tecnologia, 84% utilizam modelos híbridos, combinando credenciais físicas e digitais. No setor bancário, essa abordagem é especialmente relevante para atender diferentes perfis de usuários, desde funcionários administrativos até equipes terceirizadas, prestadores de serviço, clientes e visitantes.

Além disso, determinados ambientes ainda exigem identificação física visível ou processos específicos de conformidade. Soma-se a isso a potencial sinergia com iniciativas de biometria em ampla adoção e a expansão de casos de uso no sistema financeiro. Por isso, a tendência de curto e médio prazo não é a substituição completa dos cartões, mas sim a construção de ecossistemas mais flexíveis, integrados e complementares.

Apesar do avanço da tecnologia, ainda existem desafios relacionados à modernização da infraestrutura e à percepção de custos de implementação. No entanto, cada vez mais instituições financeiras avaliam o tema sob uma perspectiva mais ampla de retorno operacional, redução de fraudes, simplificação administrativa e fortalecimento da governança de acessos.

Para uma implementação bem-sucedida, três fatores se destacam: a preparação da infraestrutura tecnológica, a condução de uma transição gradual entre cartões e credenciais móveis e o alinhamento entre áreas como TI, segurança, facilities, compliance e recursos humanos. Em um setor altamente regulado como o financeiro, o sucesso da transformação depende diretamente da integração entre essas áreas.

À medida que bancos e instituições financeiras aceleram suas estratégias de transformação digital, as credenciais móveis tendem a assumir um papel cada vez mais relevante na unificação da segurança física e lógica. Mais do que substituir cartões, elas representam uma evolução na forma como o setor financeiro protege identidades, controla acessos e reduz riscos em um ambiente cada vez mais conectado, distribuído e regulado.

Por Ricardo Vernizzi, Regional Product Marketing Director na HID para Emerging Markets

Clique e fale com representante oficial Netwrix Endpoint Protector

Veja também:

About mindsecblog 3701 Articles
Blog patrocinado por MindSec Segurança e Tecnologia da Informação Ltda.

Be the first to comment

Deixe sua opinião!