Nomes no WhatsApp privacidade ou novas oportunidades de golpes. Uso de nomes no WhatsApp reforça a privacidade, mas pode criar novas oportunidades para golpes
Recurso promete ampliar o controle sobre a exposição de dados pessoais, mas pode abrir espaço para fraudes; especialista da Skyone explica como se prevenir
O WhatsApp lançou um recurso que permite às pessoas criarem um nome de usuário (@usernames), para iniciar conversas sem precisar compartilhar o número do telefone. Essa é uma das atualizações mais significativas feitas pela Meta desde o lançamento oficial do aplicativo em 2009.
Embora a novidade represente um avanço importante para a privacidade dos usuários, especialistas alertam que ela também pode dar origem a uma nova geração de crimes digitais. Com a adoção dos usernames, criminosos tendem a adaptar suas estratégias para criar perfis falsos, utilizar nomes muito semelhantes aos de empresas e pessoas conhecidas e aplicar golpes como pedidos de dinheiro, falsas centrais de atendimento, promoções fraudulentas e solicitações de códigos de verificação.
Com o novo recurso, o número de telefone deixará de ser exibido automaticamente quando alguém entrar em contato pela primeira vez com outra pessoa ou empresa que utilize esse identificador. Também não haverá um diretório público para pesquisar perfis: será necessário conhecer exatamente o username para iniciar uma conversa. Além disso, o WhatsApp oferecerá uma chave opcional de segurança para restringir quem poderá enviar mensagens pela primeira vez.
“A privacidade aumenta porque o usuário passa a controlar melhor quando compartilha seu número. Mas a confiança não pode ser transferida para o username. Antes de responder ou realizar qualquer ação, será cada vez mais importante verificar quem realmente está do outro lado da conversa”, afirma Bruno Caldas, Head de Cibersegurança da Skyone.
Na prática, o especialista avalia que os primeiros meses de adoção da funcionalidade devem concentrar tentativas de fraude com perfis que imitam empresas, bancos e pessoas conhecidas. A estratégia tende a explorar pequenas alterações no nome de usuário para induzir a vítima a acreditar que está conversando com um contato legítimo e, assim, obter pagamentos, dados pessoais ou códigos de autenticação.
Segundo a Meta, figuras públicas e marcas relevantes terão proteção contra tentativas de personificação. Ainda assim, Caldas ressalta que nenhuma tecnologia consegue impedir completamente a criação de perfis enganosos.
A escolha do nome de usuário também pode contribuir para a segurança. A recomendação é optar por um identificador fácil de ser reconhecido por amigos e familiares, mas que não exponha informações pessoais.
Entre os cuidados recomendados pelo especialista estão:
- evitar informar CPF, data ou ano de nascimento;
- não combinar nome completo com profissão ou empresa;
- evitar repetir o username em todas as plataformas digitais;
- escolher um nome difícil de ser confundido com outro perfil.
Mesmo com a nova funcionalidade, algumas medidas continuam essenciais para proteger a conta:
- ativar a verificação em duas etapas;
- limitar quem pode visualizar foto, recado e status;
- controlar quem pode adicionar o usuário em grupos;
- manter o aplicativo sempre atualizado;
- revisar periodicamente as configurações de privacidade.
“A tecnologia evolui constantemente, mas a conscientização continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção. Sempre que receber uma mensagem inesperada, principalmente envolvendo dinheiro, códigos de verificação ou pedidos urgentes, o ideal é confirmar a identidade da pessoa por outro canal antes de tomar qualquer ação”, orienta Caldas.
A mudança também deve impactar empresas que utilizam o WhatsApp como canais de atendimento. Segundo o especialista, será importante divulgar claramente os usernames oficiais, monitorar contas que utilizem nomes semelhantes à marca e orientar clientes para que nunca compartilhem senhas ou códigos de autenticação por mensagens.
“A confiança do cliente dependerá cada vez mais de uma comunicação clara. Além das ferramentas de segurança, será fundamental que as empresas deixem explícito quais são seus canais oficiais e treinem suas equipes para orientar consumidores diante de possíveis tentativas de fraude”, conclui o especialista da Skyone.
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