Copa de 2026 amplia risco de ataques digitais

Copa de 2026 amplia risco de ataques digitais com alta de apps falsos e transmissões gratuitas ilegais 

Apps falsos, links ilegais e plataformas piratas podem comprometer dispositivos pessoais e abrir brechas indiretas para invasões em empresas 

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 deve reacender um comportamento comum em grandes eventos esportivos: a corrida por transmissões gratuitas, aplicativos alternativos e conteúdos não oficiais para acompanhar os jogos. O que parece uma solução rápida para parte dos torcedores pode se transformar em uma porta de entrada silenciosa para ataques digitais, com potencial para comprometer desde dados pessoais até acessos corporativos armazenados em celulares e notebooks de uso cotidiano.

Hesron Hori, especialista em segurança digital, diretor de avaliação de risco da Under Protection, empresa especializada em cibersegurança, monitoramento contínuo e proteção de operações corporativas, afirma que a ameaça deixou de atingir apenas o usuário final e passou a representar risco operacional para as empresas. “Hoje, o mesmo celular usado para consumo pessoal costuma armazenar autenticações corporativas, acessos a plataformas internas e aplicativos de comunicação profissional. Quando esse dispositivo é comprometido, a porta de entrada pode deixar de ser doméstica e passar a impactar diretamente a operação da empresa”, afirma.

O alerta encontra respaldo nos dados mais recentes do Data Breach Investigations Report 2025, da Verizon, que aponta que 22% das violações de segurança analisadas começaram com abuso de credenciais, enquanto 16% tiveram origem em ataques de phishing. O relatório reforça que a captura de acessos e a exploração do comportamento humano seguem entre os mecanismos mais eficazes para invasões. Na mesma direção, a Kaspersky identificou recentemente o aumento de golpes digitais ligados à Copa de 2026, com criminosos utilizando sites falsos, promoções fraudulentas e páginas que simulam serviços oficiais para capturar dados e instalar arquivos maliciosos nos dispositivos das vítimas.

Dispositivos pessoais ampliam a exposição corporativa

De acordo com Hesron, grandes eventos esportivos funcionam como terreno fértil para esse tipo de golpe porque estimulam decisões impulsivas. “O senso de urgência é um elemento central nesses ataques. A pessoa quer assistir ao jogo, encontrar um acesso rápido ou aproveitar uma promoção e acaba ignorando sinais básicos de risco. Esse comportamento abre espaço para infecções silenciosas que podem capturar senhas, dados financeiros e até credenciais corporativas”, diz.

A preocupação se intensifica com a consolidação do trabalho remoto e do uso de dispositivos pessoais para atividades profissionais. Em muitas empresas, celulares particulares concentram aplicativos de autenticação, e-mails corporativos, sistemas internos e ferramentas de comunicação, ampliando a superfície de exposição caso o equipamento seja comprometido por um download indevido ou acesso a uma plataforma adulterada.

Criminosos exploram a pressa dos torcedores

Os golpes costumam aparecer em formatos variados: aplicativos falsos de streaming, supostas tabelas da competição para download, notificações fraudulentas de resultados, promoções falsas de patrocinadores e páginas que prometem transmissões liberadas sem assinatura. Em muitos casos, o simples clique já pode iniciar a instalação de códigos maliciosos sem qualquer sinal perceptível para o usuário.

Para reduzir a exposição durante o torneio, a recomendação passa por evitar downloads fora de lojas oficiais, desconfiar de links compartilhados por mensagens e revisar políticas corporativas relacionadas ao acesso remoto e ao uso de dispositivos pessoais. “A empresa precisa entender que segurança digital também depende do comportamento dos colaboradores fora da rede corporativa. A separação entre vida pessoal e profissional ficou muito menor”, conclui.

Especialistas alertam que, em períodos de grande mobilização digital como a Copa, a combinação entre pressa, curiosidade e excesso de confiança costuma ampliar a vulnerabilidade dos usuários e, por consequência, das próprias empresas.

Por : Hesron Hori é sócio e diretor de Risk Assessment da Under Protection

 

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