A revolução tecnológica dos meios de pagamento

A revolução tecnológica dos meios de pagamento. O mundo vivenciou adequações importantes que impulsionaram hábitos digitais de consumo, como a explosão dos marketplaces, os pagamentos por meio de carteiras digitais e por aproximação. Estamos no meio do que, aparentemente, será uma virada tecnológica, resultante dos avanços da inteligência artificial.

O desenvolvimento da tecnologia no setor de meios de pagamento abre oportunidades para agregar tendências em cibersegurança, como a adoção de Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina (ML) para detecção de ameaças em tempo real e automação de respostas. Vale destacar também o uso cada vez maior de autenticação multifator, a implantação das normas de privacidade de dados e conformidade com as regulamentações, como LGPD.

É verdade que em países com taxas elevadas de criminalidade, os usuários podem hesitar em adotar novas tecnologias, especialmente as relacionadas a transações financeiras. No entanto, as vantagens de conveniência e segurança agregadas ao NFC, sigla em inglês de Near Field Communication, que traduzindo literalmente significa ‘comunicação por campo de proximidade’, por exemplo, podem compensar essas preocupações.

O NFC é uma tecnologia de comunicação sem fio de curso alcance presente na maioria dos smartphones e funciona por meio da aproximação de dois dispositivos compatíveis. Os números de transações neste formato sobem a cada mês, por ser uma solução prática, segura e que continuará em crescimento por aqui.

É o que mostra um levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs): o pagamento por NFC no Brasil representou 44,3% das compras presenciais realizadas com cartão no primeiro trimestre de 2023. Isso representa um aumento de 48% em comparação com o mesmo período de 2022 e demonstra uma maior confiança dos consumidores com a tecnologia.

Além da praticidade, a percepção de segurança é outro ponto positivo dessa solução de pagamento: 70% dos consumidores que utilizam NFC se sentem seguros e confortáveis para transacionar, segundo estudo da Pluxee, que carrega todo o legado da Sodexo Benefícios e Incentivos, em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A pesquisa ainda apontou que 72% dos estabelecimentos consultados já aceitam plataformas Android e Apple para pagamentos com o celular e smartwatch por meio de aproximação, através de suas carteiras digitais.

As transações NFC podem ser feitas, basicamente, de duas formas: por meio de cartões físicos conhecidos como “tap-to-pay” (por aproximação), ou com o uso de carteiras digitais, como Apple Pay, Google Pay, Samsung Pay etc, nos smartphones compatíveis com a tecnologia. A principal diferença entre esses dois modelos está na forma como os pagamentos são autenticados e na camada adicional de segurança oferecida no caso das carteiras digitais, conforme ilustrado na tabela abaixo:

  NFC com cartão “tap-to-pay” NFC com carteiras digitais (como Apple Pay, GooglePay, entre outras)
Autenticação e segurança Geralmente não há autenticação para transações de baixo valor. Autenticação por meio de biometria (impressão digital, FaceID) ou código de segurança do dispositivo.
Compartilhamento de dados Os cartões físicos podem ter seus dados capturados por dispositivos de leitura de cartão (skimming) se não forem usados com cuidado. Utilizam um número de conta virtual e um código de transação único para cada pagamento. Isso reduz o risco de exposição de informações financeiras.

 

Fica claro, portanto, que o NFC quando usado com carteiras digitais, é considerado ainda mais seguro do que transações tradicionais com cartão por aproximação, devido a camada extra de proteção (autenticação). Além disso, nas carteiras digitais, os detalhes do cartão são substituídos por um token, um identificador digital único armazenado de forma segura em um chip do celular. Ou seja, o token não tem detalhes diretos do cartão.

Vale ressaltar que a adoção de novas tecnologias em meios de pagamento implica em investimentos em ferramentas de monitoramento de transações e notificações, possibilitando identificar qualquer atividade suspeita.

O setor de benefícios e incentivos investe pesado em ferramentas, profissionais e inovação para garantir que, mesmo diante de um cenário veloz e desafiador, o usuário não se preocupe com segurança. Faz parte do trabalho das empresas garantir que as melhores práticas de mercado, alinhadas à implementação de camadas de segurança, sejam fluidas, transparentes e melhorem a experiência do consumidor.

Entre junho de 2023 e o mesmo período do ano passado, as transações por NFC registradas pela Pluxee aumentaram mais de 200%. O crescimento das transações por NFC traz oportunidades e desafios para estabelecimentos e consumidores. Embora haja uma tranquilidade significativa relacionada aos robustos recursos de segurança dessas tecnologias, é essencial manter a vigilância. Comércios e consumidores devem seguir práticas de segurança, como manter softwares atualizados, monitorar regularmente as transações e usar autenticação. Faz parte da responsabilidade dos estabelecimentos comerciais educar os clientes sobre como usar essas tecnologias de maneira segura e eficaz.

Ressalto ainda a importância do esclarecimento massivo sobre a inovação, para aumentar gradativamente a adesão da população. Muitos consumidores que já utilizam a ferramenta desconhecem detalhes e limitações. Outros nem sequer sabem que têm essa facilidade agregada às suas opções de pagamento. Ou seja, há um enorme desafio a ser superado por empresas do setor financeiro quanto à clareza e popularização dos meios de pagamento digitais, tanto quanto à facilidade como com a segurança.

Efetivamente, o que o comércio deve fazer para que os clientes se sintam mais seguros ao realizar pagamentos com cartões físicos, sejam NFC ou os tradicionais com chip e senha? Primeiro, os lojistas e empreendedores devem cuidar das maquininhas de cartão que utilizam, usando apenas terminais homologados e fornecidos pela própria empresa adquirente. Outras ações importantes são treinar funcionários sobre segurança, comunicar medidas de proteção aos clientes e promover pagamentos sem contato. Todas essas práticas contribuem para manter um ambiente de pagamento mais seguro e confiável.

Por Fernando Radunz, Diretor Executivo de Tecnologia e Pagamentos da Pluxee

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