Maioria dos brasileiros desconhece os regulamentos de proteção de dados

Maioria dos brasileiros desconhece os regulamentos de proteção de dados. Apesar das preocupações com o potencial uso indevido e falta de confiança, a pesquisa da Boa Vista descobriu que os consumidores não estão questionando as práticas corporativas em relação ao manuseio de dados pessoais.

Os consumidores no Brasil, em sua maioria, desconhecem as regras de proteção de dados do país e não questionam as práticas de gerenciamento de dados pessoais das empresas, revelou o novo estudo.

A pesquisa realizada pela empresa de inteligência de crédito brasileira Boa Vista com mais de 500 consumidores entre agosto e setembro de 2020 sugere que mais de 70% dos entrevistados não sabem o que é o Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Os regulamentos de proteção de dados do Brasil foram aprovados em 2018 e a data original de entrada em operação foi 14 de agosto de 2020. Em abril de 2020, no entanto, a introdução das regras foi adiada para maio de 2021 depois que o governo concluiu que algumas organizações não seriam capazes de adaptar-se a tempo, devido ao surto de Covid-19. Isso foi posteriormente derrubado pelo Senado.

A grande maioria dos consumidores inquiridos (90%) considera que as suas informações pessoais não estão devidamente protegidas pelas empresas que as solicitam, enquanto 77% manifestaram preocupação com a potencial utilização indevida dos seus dados. Dos consumidores brasileiros pesquisados, 40% disseram ter sido vítimas de fraude.

Estar ciente dos riscos à privacidade de uma perspectiva holística é o primeiro passo para a tomada de decisões de negócios alinhadas aos interesses de construção de confiança”, disse Marcos Sêmola, sócio de cibersegurança da EY.

Por outro lado, 53% dos consumidores brasileiros pesquisados ​​disseram que nem sempre tomam medidas para proteger sua privacidade antes de informar seus dados pessoais às empresas. Enquanto 88% dos entrevistados disseram que não se sentem confortáveis ​​em informar dados como seu número de registro de contribuinte, 55% não questionam as empresas quando solicitadas por tais informações pessoais.

As regulamentações de proteção de dados do Brasil foram sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro em 18 de setembro, após quase um mês de incerteza sobre a data real de entrada em vigor das regras. Os membros do conselho do órgão responsável por fazer cumprir os regulamentos, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, foram nomeados no final de outubro.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a EY logo após a introdução das regras constatou que grande parte das empresas brasileiras ainda precisa se adequar às regras. Um estudo posterior da ABES e da EY constatou que o setor de tecnologia se saiu melhor , mas 56% das empresas do setor ainda precisavam se adequar às novas regulamentações.

A pesquisa da Boa Vista aponta também que 81% das empresas brasileiras acreditam que a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) contribuirá com a geração de novas oportunidades de negócios e desenvolvimento, enquanto 19% enxergam a legislação como uma barreira, devido às normas e exigências impostas.

A percepção positiva em relação à LGPD ocorre não apenas quando é avaliado o seu efeito no ambiente de negócio, mas também no relacionamento com clientes. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados afirmaram concordar totalmente com as afirmações de que a Lei irá conferir mais transparência na relação, de que ela contribuirá para a maior segurança dos dados de consumidores (58%), fará com que as empresas solicitem aos clientes apenas os dados estritamente necessários para a finalidade que se propõem (60%) e deixará claro quais são as responsabilidades de pessoas físicas e jurídicas em relação à proteção de dados (57%).

Mesmo assim, 84% afirmaram ainda não dispor de mecanismos que comprovem a proteção dos dados de seus clientes. Nesse contexto, apenas 25% já iniciaram seus investimentos para se adequarem à nova legislação, 45% ainda irão investir e 30% disseram que não pretendem realizar aportes nesse sentido.

A LGPD tem potencial para impulsionar a economia e contribuir com o amadurecimento de organizações de diversos segmentos. A empresa que estiver em acordo com a Lei se tornará mais competitiva”, afirma Paulo Watanabe, Data Protection Officer da Boa Vista.

Fonte: ZDNet & Boa Vista

 

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