
O grupo de extorsão Eclipse incluiu o domínio de uma empresa brasileira em seus registros de vítimas em 8 de outubro de 2026. A publicação é verificável em plataformas de inteligência de ameaças, mas não comprova, por si só, invasão ou vazamento de informações.
O grupo Eclipse reivindicou em 8 de outubro de 2026 um suposto ataque à Dipecarr, associada ao domínio dipecarr.com.br. A Dipecarr é uma empresa privada brasileira do setor de autopeças, especializada na distribuição de peças e acessórios para carretas e veículos pesados. Fundada em 1994, possui matriz em Presidente Prudente (SP), sob a razão social Dipecarr Distribuidora de Peças e Acessórios para Carretas Ltda., e mantém unidades em diferentes estados. Segundo a própria empresa, seu catálogo reúne mais de 10 mil itens para pronta entrega. Não se trata de órgão público, repartição policial ou entidade de registro de veículos. A alegação foi documentada pela DeXpose e aparece também na plataforma de inteligência de ransomware da SOCRadar, que classifica expressamente o status como “Claimed”, isto é, reivindicado. O perfil do grupo na ShellCodeX registra a mesma alegação, sem apresentar confirmação independente da organização citada.
Na mensagem de extorsão reproduzida pela DeXpose, os responsáveis ameaçam publicar dados caso não haja contato por canais indicados pelos próprios criminosos. Essa é uma tática comum em operações de dupla extorsão, nas quais a ameaça de exposição de informações busca pressionar a vítima independentemente da eventual criptografia de sistemas.
Até o momento da apuração, as fontes consultadas não permitem afirmar que arquivos foram efetivamente copiados, que os serviços da empresa ficaram indisponíveis ou que houve pagamento de resgate. Tampouco há base pública suficiente para descrever o vetor de acesso inicial, a extensão de um eventual comprometimento ou a autenticidade de amostras de dados. O nome de uma organização em uma página de extorsão é evidência de uma reivindicação criminosa, não prova técnica conclusiva de um incidente.
Como interpretar uma reivindicação de ransomware
Grupos de extorsão usam páginas públicas para aumentar pressão reputacional, atrair atenção de clientes e fornecedores e forçar negociações. Essas páginas também alimentam painéis de inteligência que monitoram tendências, setores e países afetados. Embora úteis para triagem, tais registros exigem validação adicional antes de serem tratados como incidentes confirmados.
Para equipes de segurança, a aparição de um domínio em um site criminoso justifica investigação discreta e preservação de evidências. É necessário verificar alertas de endpoint, autenticações anômalas, movimentação de dados, criação de contas, conexões externas e eventuais indicadores associados ao grupo, sem presumir comprometimento com base apenas na alegação.
Se houver evidência de acesso não autorizado, o processo de resposta deve identificar sistemas atingidos, conter sessões e credenciais expostas, preservar artefatos forenses e avaliar obrigações legais e contratuais de comunicação. Em operações de ransomware, também é importante verificar a integridade dos backups e a possibilidade de exposição de informações pessoais ou confidenciais.
A situação da Dipecarr deve continuar sob acompanhamento editorial. Qualquer atualização que confirme ou desminta a reivindicação, inclusive posicionamento da empresa, poderá alterar substancialmente a avaliação. Até lá, a formulação responsável é que o Eclipse reivindicou um ataque, sem confirmação independente de sua execução.
Referências
Dipecarr — Quem somos
Dipecarr — Site oficial
Cadastro empresarial da matriz
Eclipse Ransomware Targets Brazilian Firm Dipecarr
dipecarr.com.br Ransomware Attack by Eclipse
Eclipse Ransomware Group: Victims, TTPs and Activity

Be the first to comment