Dois terços das vítimas de golpes digitais no 2º trimestre foram homens

Dois terços das vítimas de golpes digitais no 2º trimestre foram homens, revela estudo da CAF. Pessoas entre 39 e 44 anos são as mais afetadas em volume de fraudes, representando 15% dos casos no geral.

O percentual de homens vítimas de fraudes atingiu 68% das ocorrências no segundo trimestre, refletindo um aumento de 7% em relação aos primeiros três meses de 2023. Os números são da terceira edição do Mapa de Identidade e da Fraude, relatório organizado pela CAF, empresa líder em identidade digital no Brasil, que apura as principais tentativas de golpe registradas nos canais digitais do país.

Além de demonstrarem maior propensão a comportamentos de risco em transações, homens são também mais ativos no mercado financeiro, o que contribui para uma maior vulnerabilidade aos golpes digitais. No entanto, é preocupante observar que esse percentual havia diminuído para 61% no primeiro trimestre, mas aumentou de forma significativa no final do semestre. Essa tendência reforça a necessidade de medidas preventivas como se proteger por meio de métodos de autenticação seguros e usar serviços de empresas confiáveis”, diz Vanita Pandey, CMO (Chief Marketing Officer) da CAF.

O percentual de homens afetados por casos de fraude é mais elevado nos setores de serviços financeiros, com 69% das ocorrências, e mobilidade, com um índice de 65%. Já no comércio eletrônico, a disparidade entre homens e mulheres é menos atenuada, com os homens representando 55% dos casos.

Nesta última categoria, os homens continuaram sendo os alvos principais dos fraudadores, sendo afetados em 1,39% das transações, em comparação com 0,97% das mulheres. No setor de mobilidade, entretanto, as mulheres foram atingidas em 1,8% dos casos, enquanto os homens representaram apenas 0,9% do total.

Por idade, os dados do segundo trimestre revelam que a faixa das pessoas economicamente ativas, entre 39 e 44 anos, são as mais afetadas em volume de fraudes, representando 15% dos casos no geral e liderando o ranking em dois setores-chave: serviços financeiros (16% dos casos) e comércio eletrônico (16%). Por volume de transações, porém, a faixa de 54 a 60 anos representam a maioria das ocorrências, com 1,88% do total.

O estudo da CAF apresenta duas abordagens distintas: uma baseada no volume de fraudes e outra no fraud rate (taxa de fraudes em relação ao volume de transações). Na primeira abordagem, analisou-se a quantidade total de casos de fraude, independentemente do número de transações. Já na segunda abordagem, extraiu-se a taxa de fraudes em relação ao total de transações, permitindo a comparação do risco de golpes em várias perspectivas estatísticas.

Serviços financeiros são alvos prioritários

Como no primeiro trimestre, o segmento que engloba instituições bancárias, fintechs e empresas de crédito e pagamento continua sendo o principal alvo dos golpistas, com a taxa de fraude mais alta entre as categorias no relatório. Em relação aos primeiros três meses de 2023, no entanto, o índice de transações analisadas como tentativas de fraude caiu de 1,73% para 1,22% do total.

O setor de comércio eletrônico registrou um aumento de 0,11% em comparação ao primeiro semestre, embora ainda permaneça abaixo do nível de 0,76% observado ao longo de 2022. Já no setor de mobilidade, que engloba serviços de transporte e entrega, houve uma leve diminuição na taxa de fraudes em relação ao trimestre anterior, que agora se situa em 0,97%.

De acordo com o estudo, esse segmento também apresenta uma taxa de fraude mais elevada na verificação documental (1,99%) em comparação à biométrica facial (0,93%). Isso ocorre principalmente devido ao fato de que a maioria dos serviços de reconhecimento biométrico nesse setor é realizada durante o processo de cadastro de motoristas em aplicativos.

Alto índice de fraudes no Pará

Por fraud rate, o Pará segue liderando o ranking de incidência de golpes, representando uma taxa de 4,35% do total de transações —bem acima da média nacional de 1,18%. Em seguida, encontramos Rio Grande do Norte, com 2,11%, Amazonas, com 1,75%, e Mato Grosso, com 1,42%.

Em número de transações, São Paulo ainda é o estado com maior índice absoluto de fraudes no país, abocanhando 28% do total. A taxa de fraudes no estado mais populoso do Brasil, entretanto, é bem menor do que no resto do Brasil, com 1,11% contra 1,18%. Ou seja, proporcionalmente ao número de transações, São Paulo teve menos casos de fraudes digitais em comparação com outros estados.

Líder em percentuais proporcionais, o Pará ocupa a terceira colocação no volume de fraudes (10% das transações), atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro (11%). Minas Gerais (9%) e Bahia (5%) fecham a lista dos cinco Estados com maior número de fraudes no país.

Volume de fraudes se concentrou em junho

Em comparação ao primeiro trimestre de 2023, as tentativas de fraude como um todo caíram em 0,54%, de 1,72% para 1,18%. A maior concentração de golpes se deu em junho, abrangendo 34% do total no período —provavelmente por conta da alta atividade no comércio eletrônico devido ao Dia dos Namorados.

Por hora do dia, o maior volume de fraudes ocorre durante o horário comercial, das 10h às 18h. O período com maior probabilidade de uma transação ser fraudulenta, no entanto, é entre 1h e 4h da manhã, com o pico ocorrendo às 3h quando a taxa de fraudes chega a 3,08% em relação à quantidade de transações.

As fraudes documentais, que envolvem falsificação ou alteração de documentos de identidade, representam 68% de todas as fraudes no período. Em geral, elas são comuns no setor de e-commerce (61% do total dos casos no período) e envolvem a falsificação ou alteração de documentos de identidade.

As fraudes biométricas representam 32% do total, ocupando 69% do total das transações nos serviços financeiros e 92% no setor de mobilidade. A maioria delas é do tipo spoofing, em que o golpista usa uma imagem manipulada para se passar por outra pessoa e obter acesso a informações ou realizar transações fraudulentas.

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