Adoção de IA cresce, mas maturidade ainda é baixa nas empresas brasileiras, diz pesquisa do Templo
O estudo, realizado com 382 profissionais, evidencia uma baixa automação nas médias e grandes empresas e um atraso no uso da tecnologia em áreas como Vendas e Receita
Apesar do avanço na adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo, empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para transformar esse uso em ganho real de produtividade e resultado de negócio. É o que mostra o novo relatório do Templo, empresa pioneira no desenvolvimento de soluções de IA para negócios, sobre maturidade em IA corporativa no país.
O estudo, que avaliou 382 profissionais de diferentes níveis hierárquicos e setores, mostra que 61% ainda operam abaixo do nível intermediário de maturidade. O dado indica que, embora o acesso às ferramentas tenha se democratizado, o principal desafio agora está na aplicação estruturada da tecnologia dentro das organizações.
Segundo o Templo, o mercado atravessa uma fase de transição: o uso individual de IA já é realidade, mas sua integração aos processos corporativos ainda é limitada. “As empresas já deram o primeiro passo, que é o acesso à inteligência artificial. O desafio agora é transformar esse uso individual em ganho coletivo, com impacto direto na operação e nos resultados do negócio”, afirma Herman Blesser, CEO do Templo.
Entre os principais insights da pesquisa, estão os seguintes:
Baixa automação ainda limita ganhos de escala
A automação de processos foi o ponto mais crítico da pesquisa, com avaliação de 35,0, de 100 pontos possíveis, o mais baixo entre todas as dimensões analisadas. O dado indica que o uso de IA ainda está concentrado em tarefas pontuais e manuais, sem integração aos fluxos de trabalho das empresas.
Áreas ligadas à receita estão entre as menos maduras
Times de Comercial/Vendas (47,4) e Revenue Management (43,9) aparecem com alguns dos piores desempenhos do estudo. Em contrapartida, áreas como Recursos Humanos (61,0) e Educação corporativa (61,3) lideram o ranking, impulsionadas por casos de uso mais claros e estruturados.
Uso concentrado em poucas ferramentas
O estudo também aponta alta concentração no uso de plataformas: 84% dos profissionais utilizam principalmente Copilot, Google Gemini e ChatGPT. Ferramentas voltadas à automação e integração, como Zapier e Power Automate, foram mencionadas por apenas 2,9% dos respondentes.
Comportamento vs. déficits técnicos
O estudo revela uma assimetria: os profissionais apresentam postura adequada diante da tecnologia, mas carecem de base técnica para converter essa disposição em resultado. As dimensões comportamentais lideram o ranking — Cultura de Inovação (67,9) e Ética no Uso (65,1) estão entre os pontos mais altos — enquanto Automação de Workflows (35,0) e Conhecimento Conceitual (44,6) figuram com avaliações críticas.
Score médio como âncora
O score médio geral da amostra foi de 55,6 em 100 pontos — um número que situa as empresas brasileiras em uma zona de transição: além do uso esporádico, mas ainda distantes da integração estratégica. O dado posiciona o mercado no estágio em que ferramentas já estão presentes, mas os processos para extrair valor consistente delas ainda não foram construídos.
O relatório completo está disponível neste link.
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