45,2% dos ataques hackers no Brasil começam por falhas básicas

45,2% dos ataques hackers no Brasil começam por falhas básicas; probabilidade de invasão cresce 3,7% mesmo com avanço em segurança

Estudo da Vultus com 132 empresas mostra que execução falha sustenta invasões; só 23% conseguem manter operação após incidente

Estudo da Vultus, consultoria especializada em risco cibernético, baseado em 132 organizações reais distribuídas em 11 setores da economia (que, juntas, representam mais de R$ 1 trilhão do PIB brasileiro) mostra que a probabilidade de um ataque hacker bem-sucedido cresceu 3,7% no último ano, mesmo com avanço de 5,6% na maturidade em segurança. O Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026 indica que a redução do risco global ficou em apenas 2,8%, evidenciando um descompasso entre evolução interna e a dinâmica real das invasões.

Em 45,2% das simulações conduzidas em ambientes corporativos reais, o acesso inicial ocorreu por falhas básicas, como vulnerabilidades de software, configurações inadequadas e lacunas na gestão de identidade. Outros 26,2% dos casos envolveram uso de credenciais válidas. Juntos, esses dois vetores concentram mais de 70% das portas de entrada.

O detalhamento técnico reforça esse padrão. Em 38,1% dos testes, ambientes em nuvem operavam sem autenticação multifator. Em 35,7%, ataques tiveram sucesso ao explorar senhas previsíveis. Em 21,4% dos casos, credenciais capturadas fora do ambiente corporativo permitiram acesso direto aos sistemas. E, mesmo sem qualquer informação prévia, foi possível acessar VPNs em 23,8% das simulações.

A engenharia social amplia esse cenário. Em mais de 80 mil interações simuladas, a cada 34 usuários que abriram um e-mail fraudulento, 3 forneceram credenciais válidas. Para um ataque hacker, uma única credencial é suficiente.

Para Alexandre Brum, CEO da Vultus, o cenário evidencia uma falha de priorização. “Enquanto o mercado discute IA, computação quântica e investe como nunca em tecnologia e segurança, os atacantes também nunca tiveram tanto sucesso. Na corrida pelo novo, muitas empresas ainda falham no básico e repetem erros já vistos diversas vezes”.

Serviços lideram risco no Brasil; tecnologia e saúde completam o topo em ambientes mais expostos

O risco é elevado em todos os setores, mas não homogêneo. O setor de Serviços lidera o ranking, com indicador de risco (KRI) de 8,21. Na sequência aparecem Tecnologia (8,12) e Saúde (7,96), ambientes marcados por maior complexidade operacional e dependência digital.

Mesmo segmentos mais regulados mantêm níveis elevados de exposição. Financeiro (7,86), Mercado de Capitais (7,84) e Telecomunicações (7,84) apresentam risco alto não pela ausência de controles, mas pela dificuldade de executá-los de forma consistente.

O cruzamento entre impacto e probabilidade evidencia cenários críticos. Indústria e Agro concentram alguns dos maiores potenciais de dano após a invasão, indicando impacto elevado mesmo quando o acesso inicial não é o mais complexo.

A falha que transforma incidente em crise

Se a entrada é simples e o impacto elevado, o fator que define o tamanho da crise é a capacidade de resposta. Apenas 23% das organizações possuem processos estruturados de continuidade de negócios. Mesmo entre essas, os planos frequentemente estão desatualizados ou desconectados dos riscos reais.

Na prática, isso cria uma assimetria: empresas com controles implementados, mas sem capacidade de sustentar a operação diante de um ataque hacker. O resultado é amplificação do dano, com indisponibilidade prolongada e perdas operacionais e financeiras maiores.

Tecnologia avança, governança fica para trás

A análise de maturidade mostra um desalinhamento estrutural. O pilar de Tecnologia apresenta o maior nível entre os avaliados, enquanto Governança aparece na última posição.

Os esforços seguem concentrados em proteger e detectar, enquanto capacidades críticas de resposta e recuperação permanecem subdesenvolvidas — justamente as mais relevantes quando o ataque já aconteceu.

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