A senha mais difícil de criar é a do equilíbrio 

A senha mais difícil de criar é a do equilíbrio 

Mulheres que defendem redes corporativas durante o dia criam filhos à noite e ensinam que segurança digital começa em casa 

A especialista em cibersegurança verifica no celular os alertas do painel de segurança antes de acordar os filhos para a escola. Esta é a rotina de muitas profissionais, que atuam em setores como financeiro, saúde e infraestrutura crítica, as quais aprenderam há anos que ameaças não respeitam horário. Nem as de trabalho, nem as domésticas. Essa tem sido uma geração crescente, mas ainda minoria de mulheres que constroem carreira em cibersegurança enquanto são mães. Em um mercado com déficit global de 3,5 milhões de profissionais e representação feminina de apenas 24%, essa combinação ainda surpreende.

Quando o plantão é 24 horas em duas frentes 

A rotina de quem trabalha com resposta a incidentes de segurança tem uma característica que poucos setores compartilham: o trabalho não termina quando o expediente acaba. Uma vulnerabilidade explorada às 23h exige resposta imediata, independente de quem está dando banho nos filhos do outro lado da casa.

Para as profissionais e mães, a comparação entre cibersegurança e maternidade pode soar metafórica, mas tem base prática. Ambas exigem monitoramento contínuo, resposta rápida a incidentes inesperados e a capacidade de agir com calma sob pressão.

Não por acaso, pesquisas do setor apontam que profissionais com filhos desenvolvem alta capacidade de navegar incertezas., uma das competências mais valorizadas em equipes de SOC (Security Operations Center).

“Fui mãe antes de ser diretora, e as duas coisas me ensinaram a mesma lição: você nunca controla todos os riscos, mas pode se preparar para respondê-los com rapidez. Em segurança, a gente chama isso de resiliência. Em casa, a gente chama de maternidade”, afirma Marília Cardoso, Diretora Comercial da NetSecurity

O setor que ainda não sabe reter quem mais precisa 

Os dados do mercado contam uma história contraditória. Ao mesmo tempo em que a crise de talentos em cibersegurança se aprofunda, com o Brasil sendo o país mais atacado da América Latina, as condições que afastam profissionais qualificadas do setor seguem intactas na maioria das empresas. A pesquisa Women in Cybersecurity (WiCyS) mostrou que 44% das mães que trabalham no setor já adiaram promoções ou recusaram cargos de liderança por falta de suporte para conciliação familiar.

Marília, da NetSecurity, reforça: “quando converso com clientes sobre gestão de risco, sempre pergunto quem cuida da segurança deles. Na maioria das vezes, é uma equipe pequena, sobrecarregada, quase sem mulheres. Isso é um risco operacional, não só uma questão de diversidade. Times homogêneos têm pontos cegos.” 

A mãe como primeira linha de defesa digital em casa 

Há uma dimensão menos discutida dessa equação: o que acontece quando a especialista em segurança chega em casa. Com 85% dos lares brasileiros conectados à internet (TIC Domicílios, CETIC.br) e crianças cada vez mais online, mães com formação em cibersegurança ocupam um papel peculiar. Elas são, ao mesmo tempo, profissionais de defesa digital e educadoras digitais em tempo integral.

Phishing, engenharia social, deepfakes de voz, acesso não autorizado a contas ameaças que no trabalho são tratadas com protocolos e ferramentas, em casa precisam ser traduzidas para a linguagem de uma criança de oito anos, por exemplo. Esta não é uma paranoia, é educação digital básica.

O mesmo cuidado que se tem com segurança no trânsito, deve ser tomado no ambiente online, principalmente com as crianças. Esse conhecimento aplicado ao cotidiano doméstico também retroalimenta o trabalho. Entender como usuários comuns e não técnicos interagem com tecnologia é uma competência valorizada em projetos de conscientização e treinamento corporativo, área em que a NetSecurity tem apostado como diferencial consultivo.

O calendário de maio traz o Dia das Mães como data comemorativa. Para quem trabalha em segurança digital, o mês também é marcado pela pauta de privacidade e governança de dados; um lembrete de que os temas não são tão distantes assim. Dados pessoais de mães e filhos estão entre os mais expostos em vazamentos, segundo a Febraban. Protegê-los é também um ato de cuidado.

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