Check Point Software alerta: OpenClaw inaugura era de agentes de IA autônomos e amplia superfície de ciberataques
Os especialistas da empresa apontam riscos de segurança no OpenClaw, no qual agentes de IA passam a operar com permissões e acesso a sistemas corporativos, criando mais vetores de ataque e exigindo governança e controles específicos
A Check Point Software afirma que o OpenClaw, a nova plataforma lançada em 28 de janeiro deste ano, representa uma mudança de paradigma no uso da inteligência artificial (IA), mas também um desafio crítico para a segurança digital. No OpenClaw os seres humanos estão proibidos de interagir; podem apenas observar como seus próprios agentes de IA publicam, comentam e votam de forma autônoma.
A plataforma ganhou destaque não por ser software corporativo, mas por mostrar a direção do trabalho cotidiano: ferramentas de agentes autônomos estão sendo adotadas primeiro por indivíduos como engenheiros automatizando projetos paralelos, analistas conectando fluxos de trabalho e operadores acelerando tarefas rotineiras por meio de frameworks abertos e comunitários. No entanto, quando essas ferramentas passam a acessar sistemas reais, como caixas de e-mail, drives compartilhados, dashboards internos ou ambientes de desenvolvimento, deixam de ser experimentos pessoais e passam a fazer parte da superfície de ataque das organizações.
Essa mudança reflete uma nova fase da segurança de IA no ambiente de trabalho: não são apenas implantações formais de agentes autônomos, mas funcionários levando automações poderosas para seus fluxos diários, muitas vezes sem visibilidade, governança ou controles. De forma semelhante ao que ocorreu com o início do SaaS e do Shadow IT, a diferença é que agentes de IA executam ações e integram sistemas em velocidade de máquina, ampliando drasticamente o alcance potencial de um incidente de segurança.
O OpenClaw também antecipa uma transformação: softwares que antes apenas auxiliavam pessoas começam a agir em seu nome. Quando assistentes de IA conseguem navegar, executar tarefas, instalar “skills” (extensões/funcionalidades) e operar entre aplicações, a questão de segurança deixa de ser apenas “o que o modelo respondeu?” e passa a ser “o que o agente fez e sob a autoridade de quem?”.
“O OpenClaw é um vislumbre do futuro: assistentes de IA que não apenas sugerem, mas agem. O desafio de segurança não é a saída da IA, mas a autoridade que delegamos a ela”, afirma David Haber, vice-presidente de Segurança de Agentes de IA da Check Point Software.
Agente de IA passa a ter o nível de acesso de um funcionário humano
Relatos recentes de pesquisadores já apontaram problemas de segurança no ecossistema da plataforma, incluindo caminhos de execução com um clique e “skills” de terceiros maliciosos. Isso altera o cenário de risco: os agentes passam a ser uma camada capaz de acessar tudo o que um usuário acessa. Assim, riscos conhecidos como links, plugins e cadeia de suprimentos podem gerar efeitos novos, como execução imediata, permissões amplas e ações indistinguíveis do trabalho normal, permitindo que uma aplicação se comporte com a autonomia, a velocidade e o nível de acesso de um funcionário humano, porém sem capacidade de avaliar riscos.
O OpenClaw mostra um risco real e preocupante: com os agentes de IA, os dados podem representar um perigo por si só. Qualquer “skill” incorporado ao agente ou dado malicioso processado pelo OpenClaw pode provocar um desastre para o usuário ou para a empresa, como a perda do acesso ao e-mail. Esta não é uma ameaça futura: já estamos vivendo nesse cenário e as empresas precisam atualizar urgentemente a forma como pensam sobre segurança.
Após os recentes incidentes que permitiram acesso aberto a bases de dados e a falsificação de agentes para golpes com criptomoedas, os especialistas destacam os seguintes riscos técnicos:
• A tríade letal da IA: a Check Point Software identificou três fatores que, combinados sem proteções sólidas, podem ter consequências graves: acesso a dados privados, exposição a conteúdo não verificado e capacidade de agir externamente.
• Vulnerabilidade estrutural: a base de dados principal da plataforma ficou exposta, permitindo que qualquer usuário pudesse ler ou escrever nela, o que facilitou a inserção de conteúdo malicioso e a falsificação de agentes.
• Risco nas instruções externas: os agentes operam sob instruções hospedadas em sites externos que podem ser modificados a qualquer momento. Se essas fontes forem comprometidas, seria possível redirecionar o agente para realizar ações prejudiciais utilizando as chaves de API do usuário.
• Projeto experimental: trata-se de um “projeto de hobby”, não destinado a usuários não técnicos nem adequado para ambientes de produção.
A Check Point Software ressalta ainda que organizações estão delegando trabalho real à IA mais rapidamente do que estão criando controles sobre o que esses sistemas podem acessar, instalar e executar. Por isso, a segurança de IA precisa ir além do comportamento do modelo ou da filtragem de conteúdo, considerando como a tecnologia opera em nome das pessoas em e-mails, arquivos, navegadores, ferramentas de desenvolvimento e aplicações corporativas.
Entre as medidas recomendadas estão tratar ferramentas de agentes como aplicações de alta confiança, aplicar o princípio do menor privilégio, restringir a instalação de plugins e conectores, considerar conteúdo externo como não confiável e monitorar registros de atividades para avaliar as ações executadas pelos agentes.
Os especialistas da Check Point Software concluem que o verdadeiro impacto do OpenClaw não está em uma falha específica, mas na chegada de um ambiente de trabalho onde funcionários, aplicações SaaS e agentes de IA operam utilizando a autoridade e as permissões do usuário humano, acessando sistemas e dados reais, ou seja, um cenário que exige governança, visibilidade de uso de IA e controles sobre as ações executadas por esses sistemas.
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