Mudanças no Roblox reacendem debate sobre segurança infantil e crimes digitais

Mudanças no Roblox reacendem debate sobre segurança infantil e crimes digitais

Especialistas alertam que restrições no chat ajudam a reduzir riscos de assédio, golpes e exploração de menores em plataformas de jogos online

 

As recentes mudanças anunciadas pela plataforma de jogos Roblox, que passaram a limitar a comunicação entre usuários de diferentes faixas etárias e a exigir verificação de idade, reacenderam o debate sobre segurança infantil em ambientes digitais. Apesar das reações negativas e dos protestos virtuais de parte da comunidade, que atribuiu a decisão ao influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, especialistas em cibersegurança avaliam que a iniciativa representa um avanço relevante na proteção de crianças e adolescentes contra crimes digitais.

Para Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil, empresa líder em detecção proativa, plataformas com grande presença de menores demandam mecanismos de controle mais rígidos, sobretudo quando permitem interação direta entre pessoas desconhecidas. “Chats de conversa abertos sempre figuraram entre os principais pontos de vulnerabilidade para crianças, seja em casos de assédio, aliciamento, fraudes ou contato com conteúdos inadequados”, explica o especialista.

A iniciativa integra uma exigência do governo federal para 37 plataformas, entre elas o Roblox, que precisam se adequar ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, nova legislação voltada à ampliação da proteção de jovens no ambiente online. As diretrizes determinam que crianças menores de nove anos só tenham acesso ao jogo mediante autorização dos responsáveis, enquanto usuários com mais de 13 anos ficam restritos à interação com perfis de faixas etárias semelhantes. “Mesmo com o acompanhamento dos pais, muitos menores continuam expostos a ameaças que nem sempre são perceptíveis no dia a dia. Nesse cenário, regras mais restritivas atuam como uma camada adicional de proteção, reduzindo a exposição a riscos digitais”, completa Barbosa.

Os protestos registrados dentro do próprio jogo também evidenciam como a lógica das plataformas digitais pode potencializar reações coletivas. Ambientes orientados por engajamento e visibilidade tendem a amplificar comportamentos, disputas e narrativas, especialmente entre públicos mais jovens, ainda em processo de formação crítica. “Esse contexto ajuda a entender por que decisões de moderação, mesmo quando necessárias, podem provocar respostas intensas e conflitos internos”, analisa Barbosa.

Executors e ferramentas ilegais ampliam riscos para crianças

Além das questões relacionadas à comunicação, outro fator de atenção são os chamados executors do Roblox — programas externos e não oficiais que prometem vantagens dentro dos jogos. Apesar de atrativos, esses recursos violam os termos da plataforma e representam uma ameaça relevante à segurança digital.

“Muitos desses executors funcionam como porta de entrada para malware, incluindo trojans e ferramentas de roubo de informações. Crianças e adolescentes acabam se tornando alvos preferenciais, pois nem sempre conseguem reconhecer os perigos envolvidos”, alerta o pesquisador da ESET Brasil. Em diversos casos, os impactos extrapolam o ambiente do jogo, comprometendo dispositivos compartilhados pela família e dados sensíveis armazenados no computador.

Na avaliação da ESET Brasil, o endurecimento das regras no Roblox reforça uma tendência necessária no setor: o equilíbrio entre entretenimento, interação social e proteção. “Medidas técnicas são fundamentais, mas devem caminhar junto com educação digital, supervisão dos responsáveis e uso de soluções de segurança. Plataformas frequentadas por crianças precisam ser pensadas, antes de tudo, para minimizar riscos”, conclui Barbosa.

Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com os jovens e crianças sobre o que eles veem, consomem e jogam online, explicar por que certas medidas são recomendadas e incentivá-las a refletir sobre essas escolhas contribui para que se sintam seguras para relatar situações estranhas ou desconfortáveis. “Educação, conversa e limites bem estabelecidos transformam o uso do universo digital de potenciais ameaças em ferramentas valiosas. O objetivo não é excluir a tecnologia da vida das crianças, mas guiá-las para um uso consciente e seguro ao longo do tempo”, reforça Barbosa.

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