Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Defesa Cibernética revela maturidade crescente e destaca papel estratégico da gestão de risco humano
Levantamento organizado pelo MITI mostra avanço técnico do setor no Brasil e destaca a atuação da Beephish em gestão de risco humano, um dos pilares para a maturidade da cibersegurança
O lançamento do mapeamento conduzido por profissionais do mercado em parceria com o MITI (Markets, Innovation & Technology Institute) — responsável pelo Mapa do Ecossistema Brasileiro de Defesa Cibernética — marca um novo momento para o setor de tecnologia e segurança no Brasil. A iniciativa organiza, estrutura e dá visibilidade a um ecossistema que vinha crescendo de forma acelerada, mas ainda carecia de uma visão consolidada sobre seus players, competências e lacunas estratégicas.
O levantamento evidencia que o país já conta com um ecossistema tecnicamente competente e em expansão, com empresas atuando em múltiplas camadas da segurança da informação, de infraestrutura e proteção de redes até governança, risco e conformidade (Governance, Risk and Compliance – GRC). Ao mesmo tempo, revela que o mercado ainda está em processo de amadurecimento, especialmente na integração entre tecnologia, gestão de riscos e cultura organizacional.
“Entre os principais pontos que se destacam estão a diversidade de especializações dentro da cibersegurança, a presença de empresas nacionais altamente qualificadas e o crescimento das áreas de GRC, conscientização e gestão de risco humano. O estudo também aponta a necessidade de maior integração entre soluções técnicas e estratégia corporativa, reforçando que segurança não pode mais ser tratada como um tema exclusivamente operacional”, avalia Glauco Sampaio, CEO da Beephish, startup brasileira especializada em gestão do risco humano em cibersegurança, um dos promotores da iniciativa.
A Beephish aparece na categoria de Awareness, Treinamento, Phishing e Segurança de E-mail, uma camada considerada estratégica para qualquer abordagem completa de cibersegurança. Isso porque o vetor humano continua sendo o principal ponto de exploração em incidentes, especialmente em ataques de phishing, engenharia social e fraudes digitais, que exploram comportamento, não apenas vulnerabilidades técnicas.
“Mesmo com investimentos robustos em tecnologia, decisões individuais inadequadas como clicar em links maliciosos ou compartilhar credenciais, podem comprometer toda a estrutura de segurança. A proteção é tão forte quanto o elo mais vulnerável. Por isso, a gestão de risco humano precisa ser contínua, estruturada e baseada em métricas”, destaca Sampaio.
Desafios
Apesar da evolução observada nos últimos anos — impulsionada pela entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por regulamentações setoriais e pelo aumento de incidentes públicos — muitas organizações ainda tratam a conscientização em segurança como uma ação pontual, e não como um programa permanente de redução de risco. O desafio atual deixou de ser reconhecer a importância do tema e passou a ser elevar o nível de maturidade das iniciativas dentro das empresas.
“A tecnologia evoluiu muito, mas o comportamento humano continua sendo explorado como vetor principal em grande parte dos ataques. Sem uma estratégia estruturada de gestão de risco humano, as empresas permanecem expostas mesmo quando investem em ferramentas avançadas de segurança”, afirma Sampaio.
Além de fortalecer o mercado, o mapeamento também contribui para a soberania digital brasileira ao evidenciar a capacidade técnica nacional e estimular a contratação de soluções desenvolvidas no país. Para empresas públicas e privadas, o levantamento funciona como ferramenta estratégica de decisão ao facilitar a identificação de fornecedores especializados e o planejamento mais assertivo de investimentos em segurança da informação.
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