Tendências de golpes para 2026: o que esperar e como se preparar
Especialista destaca evolução dos crimes digitais e reforça importância de educar para prevenir.
Os golpes digitais devem atingir um novo patamar de sofisticação em 2026, impulsionados pelo uso intensivo de inteligência artificial, automação e engenharia social cada vez mais personalizada. O crime cibernético, que já afetou milhões de brasileiros nos últimos anos, tende a se tornar mais direcionado, silencioso e difícil de identificar, exigindo um novo nível de atenção por parte de consumidores, empresas e instituições públicas.
É o que reforça Priscila Meyer, CEO da Eskive e especialista em segurança da informação, crimes cibernéticos e proteção de dados. Segundo a especialista, a indústria do crime vem se especializando cada vez mais e personalizando as investidas, o que pode fazer com que os próximos golpes não dependam apenas de links suspeitos ou mensagens genéricas. “O que vemos para 2026 é a consolidação de fraudes altamente personalizadas. O criminoso já não ataca no volume, ele ataca com precisão, usando dados reais das vítimas, linguagem contextual e até rotinas de comportamento”, alerta.
Golpes cada vez mais sofisticados e difíceis de detectar: a era das deepfakes e IA
De acordo com Meyer, entre as principais tendências para este ano estão os golpes com uso de inteligência artificial generativa, capazes de criar mensagens, áudios e até vídeos falsos extremamente convincentes. Deepfakes de voz e imagem devem ser usados para simular familiares, executivos e autoridades, aumentando o risco de fraudes financeiras e extorsões.
Outra prática em ascensão, segundo a especialista, é o chamado golpe híbrido, que combina diferentes canais como e-mail, WhatsApp, SMS, redes sociais e ligações telefônicas para construir confiança da vítima antes do ataque final. “O criminoso pode passar dias ou semanas interagindo com a vítima antes de aplicar o golpe. Isso reduz a desconfiança e aumenta drasticamente a taxa de sucesso”, explica Priscila.
Empresas também estão na mira
No ambiente corporativo, os ataques devem se concentrar cada vez mais na cadeia de fornecedores e parceiros, explorando acessos legítimos para chegar a grandes organizações, ressalta Meyer. Para ela, pequenas empresas e prestadores de serviço continuam sendo o elo mais vulnerável, abrindo portas para invasões maiores. “Em 2026, não basta proteger apenas o próprio ambiente. As empresas precisarão olhar para terceiros, revisar acessos, contratos e práticas de segurança. O risco já não está só dentro de casa”, destaca.
Consumidores mais expostos e engenharia emocional
Para o público geral, os golpes continuarão explorando fatores emocionais como urgência, medo, escassez e autoridade. Promoções falsas, notificações de problemas em contas bancárias, falsas cobranças judiciais e golpes envolvendo benefícios, reembolsos ou investimentos seguirão entre os mais comuns.“A engenharia social continua sendo a arma mais poderosa do golpista. A tecnologia só potencializa isso. Quando a emoção entra em jogo, a racionalidade sai de cena”, destaca Priscila Meyer.
Como se preparar para 2026
Diante desse cenário, a especialista reforça que a prevenção precisa ir além de soluções técnicas. Educação digital, revisão de hábitos e consciência sobre o próprio comportamento online serão decisivos.“Em 2026, a segurança digital será muito mais sobre pessoas do que sobre tecnologia. Entender como os golpes funcionam, desconfiar de excessos de urgência e validar informações antes de agir será fundamental para reduzir prejuízos”, afirma.
A especialista ainda reforça que desconfiar de contatos inesperados, mesmo que pareçam legítimos, atualização e reforço de senhas de acesso e verificação rigorosa de identidades com uso de autenticação de múltiplos fatores são medidas essenciais que podem ajudar tanto pessoas físicas quanto empresas a evitarem passar por uma tentativa de golpe ou fraude digitais.
Ainda de acordo com Priscila Meyer, o enfrentamento ao avanço dos golpes digitais em 2026 passa por um esforço coletivo. “Os criminosos já atuam de forma colaborativa, trocando técnicas e dados em tempo real. A sociedade precisa responder com informação, preparo e responsabilidade digital. Segurança não é mais opcional, é uma competência básica”, conclui.
Por: Priscila Meyer, CEO da Eskive. Foto: Lela Brandão
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